Marketing no Brasil em 2026: o mercado cresceu, mas ficou mais exigente
- Uyllian Rodrigo Wommer
- há 2 dias
- 5 min de leitura
Marketing no Brasil em 2026
O mercado de marketing, branding e social media no Brasil atravessou, nos últimos seis meses, uma mudança estrutural relevante. O investimento aumentou, o digital consolidou sua liderança e novas disciplinas ganharam força. Ao mesmo tempo, a margem para erro diminuiu drasticamente. O cenário atual combina crescimento com pressão, expansão com cobrança por resultado e mais canais com menos tolerância ao desperdício.
Este artigo organiza os principais sinais observados entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, com base em dados setoriais, pesquisas de mercado e leitura estratégica aplicada ao contexto brasileiro.
Um mercado maior, mas sob pressão real por ROI
Os dados mais recentes de compra de mídia no Brasil mostram que o digital deixou de ser apenas o principal canal em crescimento para se tornar, definitivamente, o eixo central do investimento publicitário. A internet já representa mais de 40% da quota de mídia via agências, superando a soma da TV aberta e da TV paga. Paralelamente, meios como OOH ampliaram sua participação, enquanto a TV aberta perdeu tração relativa.
Esse movimento, porém, não significa conforto para as áreas de marketing. O ambiente macroeconômico, marcado por juros elevados e maior custo de capital, alterou como o marketing é avaliado internamente nas empresas. Em muitas organizações, o investimento em comunicação passou a ser comparado diretamente com alternativas financeiras conservadoras. O marketing deixou de ser apenas uma área de crescimento e passou a ser também uma área de justificativa financeira.
O resultado é um cenário de cobrança intensa por ROI, mensuração e previsibilidade.
A contradição central: mais recursos, menos impacto proporcional
Um dos dados mais consistentes do período é a dificuldade generalizada das empresas em atingir suas metas de marketing, mesmo com maior acesso a tecnologia, canais e orçamento. A contradição é clara: nunca foi tão fácil executar campanhas, conteúdos e automações; nunca foi tão difícil transformar essa execução em impacto consistente de negócio.
O problema não está na falta de ferramentas. Está na falta de integração estratégica. Muitas operações continuam fragmentadas entre branding, performance, social, CRM e dados, o que dilui resultados e torna a mensuração incompleta.
Essa tensão explica por que o mercado entrou em um ciclo de depuração.
O que as empresas estão priorizando na contratação de serviços
A demanda por serviços de marketing mudou de perfil. O foco deixou de ser amplitude e passou a ser conexão com resultado.
Nos últimos meses, cresceram de forma consistente as contratações relacionadas a:
Retail Media, tratada não apenas como mídia, mas como disciplina operacional. A demanda envolve governança, métricas padronizadas, integração com dados de vendas e leitura de incrementalidade, não apenas compra de inventário.
CRM e canais conversacionais, especialmente o WhatsApp, que se consolidou como eixo de relacionamento e conversão no Brasil. Apesar da ampla adoção, ainda há subutilização estratégica, principalmente em automação, arquitetura de jornadas e integração com dados.
Gestão profissional de creators, com foco em credibilidade, recorrência e impacto real no funil. A lógica de publis isoladas perde espaço para relações mais longas, alinhadas ao posicionamento da marca.
Conteúdo técnico e profundo, especialmente em mercados B2B e decisões de alto valor. Guias, análises, comparativos e materiais densos ganham relevância em um ambiente saturado de conteúdo superficial.
Em contrapartida, serviços genéricos — como social media baseado em volume ou mídia paga isolada — passaram a ser questionados quando não sustentados por método, dados e leitura estratégica clara.
Branding voltou ao centro, mas com outra função
Um dos movimentos mais relevantes do período é a revalorização do branding. Não como estética, campanha institucional ou discurso aspiracional isolado, mas como infraestrutura de confiança.
Em um ambiente saturado de anúncios, mensagens automatizadas e conteúdos semelhantes, marcas com posicionamento claro, coerência narrativa e consistência operacional tendem a:
reduzir custo de aquisição ao longo do tempo;
sofrer menos desgaste de mídia;
sustentar melhor suas margens;
performar com mais previsibilidade.
Em 2026, branding não é oposição à performance. É o que torna a performance sustentável.
Inteligência artificial: adoção ampla, maturidade baixa
A inteligência artificial se espalhou rapidamente pelo mercado brasileiro. Hoje, praticamente todas as agências e equipes de marketing utilizam IA em algum nível. O diferencial competitivo, no entanto, já não está em “usar IA”, mas em como ela é governada.
Grande parte das operações ainda utiliza IA de forma tática e desestruturada, sem políticas claras, critérios de qualidade ou controle sobre dados e tom de voz. Isso cria riscos operacionais e reputacionais.
O mercado começa a valorizar quem sabe definir limites, manter curadoria humana e transformar a IA em suporte à decisão estratégica — não em substituto de pensamento.
Descoberta deixou de ser apenas Google
Outro ponto estrutural do período é a mudança na lógica de descoberta. O consumidor não busca mais marcas apenas em mecanismos tradicionais. Ele descobre produtos e serviços em redes sociais, marketplaces, plataformas de retail media e, cada vez mais, em respostas geradas por inteligência artificial.
Isso altera profundamente o papel do SEO, do conteúdo e do social media. Ser encontrado agora depende menos de volume e mais de autoridade, clareza e coerência semântica. O conteúdo precisa responder perguntas reais, circular em diferentes ambientes e sustentar confiança — inclusive para sistemas automatizados.
O que esse cenário revela sobre o marketing em 2026
O marketing brasileiro não está em crise. Ele está em processo de amadurecimento forçado.
O mercado saiu da fase de expansão fácil e entrou na fase da precisão estratégica. Crescer continua sendo possível, mas exige escolhas mais claras, integração real entre branding, performance e dados, e disposição para abandonar modelos que já não entregam valor.
Em 2026, o maior risco não é investir pouco em marketing. É investir sem clareza suficiente para saber por que, onde e até quando insistir.
Generalismo, improviso e excesso de promessas perderam espaço. Profundidade, método e consistência ganharam valor.
É nesse contexto que o marketing deixa de ser apenas comunicação e volta a ser, de fato, negócio.
Sobre a UR
A UR Consultoria MKT atua na interseção entre branding, estratégia, marketing digital e experiências, acompanhando de forma contínua as transformações do mercado brasileiro. Nosso foco é orientar marcas a tomar decisões mais conscientes, sustentáveis e alinhadas ao contexto real do negócio — com menos ruído e mais clareza estratégica.
Fontes e referências
Cenp-Meios — Painel de Compra de Mídia (2025)
MMA & Hibou — Retail Media Club Brasil (2025)
IAB Brasil — Estudos sobre Creator Economy e Publicidade Digital
RD Station — Panorama de Marketing no Brasil
Forbes Brasil — Uso estratégico do WhatsApp nas empresas
Google Search — Atualizações sobre AI Overviews e busca generativa
Reuters / The Guardian — Impactos da IA na distribuição de conteúdo
Pesquisas setoriais Sinapro/Fenapro (VanPro)






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